quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Os livreiros de Porto Alegre

Desculpem o bairrismo. Desde já peço licença pra abusar do sentimentalismo de quinta categoria. Não sou nada além de uma guria do interior que sempre foi apaixonada pela capital... sabe como é. E uma das coisas que sempre me fascinou em Porto Alegre foi a Feira do Livro, que nunca consegui visitar. Quando morava no interior do RS, por que era uma fudida, estudante, não tinha dinheiro pra nada. Depois de formada, quando morava em SC, não ia por que trabalhava feito um burro de carga e, pior, continuava fudida.
Mas a minha hora chegou. Hoje, moradora de Porto Alegre, finalmente visitei a Feira do Livro. Milhares de barracas desfilando maravilhas e merdas na minha frente. Fernando Pessoa ao lado da Zíbia Gasparetto, Paulo Coelho e Harry Potter majestosos, Nietsche e José de Alencar no balaião de 5 pila, ao lado dos clássicos da Agatha Christie. Que maravilha de mistura!
Sempre soube que adoraria circular pelos corredores desse evento tão querido da gauchada. Mas não imaginava que comprar livro por R$ 2,00 (e outro por R$ 30,00, nada é perfeito), ganhar panfleto de cartão de crédito, comer pipoca e ficar olhando praquela gente com cara de intelectual na frente das bancas fosse tão gostoso. Se fizesse idéia, já tinha me endividado no tempo de faculdade.
E isso não foi tudo. Sem ter a mínima idéia da programação do dia e dos autores que iriam autografar, cheguei quase junto com a jornalista norueguesa Asne Sierstad, que escreveu o Livreiro de Cabul e 101 Dias em Bagdá. Há mais ou menos um ano li o Livreiro e me apaixonei pela jornalista. Não que o texto dela seja aquilo tudo, mas, como repórter, ela tem o seu valor. Ao saber que ela estaria ali, autografando, me apressei em comprar o 101 Dias, já que, obviamente, deixei o meu Livreiro em casa. E lá fui eu, enfrentar uma hora de fila só pra ela assinar meu livro.
Ao ver Asne sentada, distribuindo sorrisos e uns “oubrrrigados” aos fãs, fiquei pensando... porra, ela morou quatro meses com um vendedor de livros em pleno Afeganistão pós-Talibã. Trabalhou em Bagdá durante o período crítico da Guerra no Iraque, fez matérias na Sérvia... E ainda por cima é loira e linda, a filha da puta!! Caralho... Ops! Chegou a minha vez... Hi, I’m also journalist and I think your work is inspiring, blablabla…
E assim, depois de falar com ela muito menos do que eu queria mas muito mais do que eu esperava naquela noite, terminei meu primeiro dia de Feira do Livro em Porto Alegre. Pra quem demorou 31 anos pra experimentar esse gostinho, até que tive um começo bem emocionante.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Uma espiadinha pela janela do Ramalhete

No Irã dos anos 80 e 90, uma professora de Literatura Inglesa chamada Azar Nafisi desafiou o domínio impiedoso dos Aiatolás para formar, em sua casa, em Teerã, um grupo de estudos literários composto somente (ou quase) por mulheres. É claro que, falando de litetarura, se falou sobre vida, liberdade, sonhos e ideais. Nas reuniões secretas, elas tiravam o véu, sentavam-se em roda e comiam sonhos de creme, enquanto iam a fundo nas obras de Henry James, Jane Austen e Vladimir Nabokov.
Lá pelo ano de 2005, após conhecer a história da Dra. Nafisi, duas amigas meio fissuradas por literatura passaram a sonhar com o dia em que se reuniriam em uma tarde ensolarada para tomar chá, comer sonhos de creme e falar sobre as obras das quais mais gostavam, exatamente como fizeram a professora e suas alunas no Oriente Médio. Com a vantagem que nossos políticos não dão a mínima para o que estamos lendo.
Os sonhos nunca se tornaram realidade. Os de creme sequer foram fritos. E os literários ganharam um certo incentivo, mas a tão sonhada reunião nunca aconteceu. E o que fazem as pessoas em situações como essa? Criam blogs. Então, criamos o nosso. Um espaço pra quem gosta de palavras. Não precisa ser palavra de livro, de página, de papel. Pode ser qualquer palavra. O espaço é pra quem compartilha qualquer loucura narrada, dissertada ou simplesmente sonhada.
Ah... já ia esquecendo de explicar o título. Sempre quisemos espiar o que os Maias faziam nas horas em que o Eça não estava no Ramalhete. Quem sabe aqui, nesse Blog, alguém que tenha conseguido ver alguma coisa através daquelas janelas nos conte detalhes.
E, pra terminar... se você chegou até aqui... fudeu. Já é uma vítima.